sexta-feira, 23 de abril de 2010

Caminho de Emaús.

E no caminho se dava passo não para trevas, porque ele se fora, mas para a luz, mostrando que ainda havia fé, não negando seus milagres e sua presença de Rei que fora morto como previsto sem reais explicações. Ele se foi e a tristeza bate nos peitos. Bate porque o que deveria ser coroado foi com espinhos? Tudo planejado? Se machucou, se humilhou e falou coisas que, ás vezes, não convinha ouvir, assustava. Tudo feito da forma correta? Ao redor, a tristeza mais batia porque não cumpriu o tipo de reinado dos corações que não ardiam. E em atitudes mostrava que não tinha medo da solidão, já enfrentara antes para se cumprir o propósito maior. Ele que viu poder e tristeza em total intensidade, essa que imaginamos um dia não aguentar. Convidado, assim ficou, dividiu e se foi. Se foi?

Planejaremos quando seu retorno?

Fevereiro com Priscila Cáliga.

4 comentários:

Juan Moravagine Carneiro disse...

"Arder na água, afogar-se no fogo" (Bukowski), está frase me acompanha para aonde quer que eu vá...não importando o caminho...

...Bela construção de um mosaico de palavras e sentimentos...

...aliás, bela compahia...!

Canteiro Pessoal disse...

Paula.

Diálogo

A continuação do coser de dentro. Emaús ? O anúncio da volta à entrada no lugar perfumado, fazendo com que saída de casa se cavalgue sentindo o inverno. Pois, assolava nas peles as manhãs frias, sem sol, em que as árvores pareciam mãos enormes buscando a primavera num céu sem cor. O pardal nasceria no dia dos pregões e no caminho que se dava passo não para trevas, porque voz fora, mas para a luz, mostrando que ainda havia fé, não negando seus milagres e sua presença de Rei que morto como previsto sem reais explicações. Ele se foi e a tristeza bate nos peitos. Bate sim, pois olhos abertos, já não com vida no consumado o que enfim se propôs. Por que o que deveria ser coroado foi com espinhos ? Tudo planejado ? Machucou-se. As esquinas cuspiam. E ali no chão bolinhas castanhas que já não chamavam o passarito, e o sinal à porta nos observadores impediam de voar. Voar pra onde ? Humilhou-se e falou coisas que, às vezes, não convinha ouvir, assustava. Tudo feito da forma correta ? Ao redor, a tristeza mais batia porque não cumpriu o tipo de reinado dos corações que não ardiam. E em atitudes mostrava que não tinha medo da solidão, já enfrentara antes para se cumprir o propósito maior. Ele que viu poder e tristeza em total intensidade, essa que imaginamos um dia não aguentar. Convidado, assim ficou, dividiu e se foi. Se foi ? Planejaremos quando o retorno ? O fevereiro resposta do sim, pois a chuva cai nos lábios. O pouco já não contenta, dispensando pedaços. Nada de deixar partes pelo caminho. Mas, surpreender ao ver, sentir e tatear o poder degustativo das palavras. Assustar os assustados, a própria alma ao sentir o grande efeito que provocam. E mesmo no amar os pés, mesmo que partidos ao meio, na destruição dramática, faz-se inspirar para conseguir manter suas convicções no que não se explica, já dito no sem reais explicações. Apenas viver o lugar e o tempo do vinho molhando os lábios, muitas vezes, secos. Toda a minuciosa da anatomia de quem quer andar como quem canta. Encontrar os lírios nas sequelas dos músculos. Dar corda. Pondo a [re] pensar sobre o caminho.


Abraços!

Priscila Cáliga

Por Ele. disse...

Completo!
Como é bom te ter por perto...

Open eyes disse...

Uau que belo mosaico fluido...