domingo, 25 de abril de 2010

Oração para a Vida.

O Teatro Mágico

"Há manhãs que me trazem o medo
De ter de perto de mim alguém
Quanto aos prantos me vejo sozinho
Que sei que aqui no mundo espero Alguém.

Alguém que...
... Que me faça esperar pelo agora!

Pássaro canta, a flor floresce ao dia
Bem ouvido para quem acorda o céu
Quantos rostos o acaso me traz
O momento relento da minha oração.

Horas são
Horas vão
Horas são
Poeta que brinca de pega-pega
Te busco em minha composição.

Tua saudade
Que fosse metade minha
Que me encontrasse
Como as horas encontra o dia.

Poeta que brinca com a dona esperança
Por que a vida é o coletivo das horas que são pro dia.
"

Aguardo-te!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Caminho de Emaús.

E no caminho se dava passo não para trevas, porque ele se fora, mas para a luz, mostrando que ainda havia fé, não negando seus milagres e sua presença de Rei que fora morto como previsto sem reais explicações. Ele se foi e a tristeza bate nos peitos. Bate porque o que deveria ser coroado foi com espinhos? Tudo planejado? Se machucou, se humilhou e falou coisas que, ás vezes, não convinha ouvir, assustava. Tudo feito da forma correta? Ao redor, a tristeza mais batia porque não cumpriu o tipo de reinado dos corações que não ardiam. E em atitudes mostrava que não tinha medo da solidão, já enfrentara antes para se cumprir o propósito maior. Ele que viu poder e tristeza em total intensidade, essa que imaginamos um dia não aguentar. Convidado, assim ficou, dividiu e se foi. Se foi?

Planejaremos quando seu retorno?

Fevereiro com Priscila Cáliga.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

AMAR na chuva...

"Que pode uma criatura senão,
senão entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita."

Carlos Drummond de Andrade.

Informações sobre postos de arrecadação.