quarta-feira, 24 de março de 2010

Velhos atalhos.

Mexendo em armário antigo e tirando coisas para jogá-lo fora encontrei além de poeira, tantas outras coisas que agrediam minha saúde. Ao abrir, coladas na porta do armário, fotos de família risonha típica que vivia, fora da paralisia, aos tapas. Irmã com sua doce, antiga e tímida presença. Cachorros, muitos cachorros com rótulo de amigo e Pietra, a única. Mares que me deixei e shoppings que levei. E até o ursinho marrom sem nome que me fazia dormir protegida, mas não abraçava. E dentro do armário muitos presentes singelos e cheios de significado como a caixinha de música que ouvia sempre quando a irmã ia para a creche. Ou um fingido abajour que vovô deu com intenção de iluminar. Aos montes havia cartas de amor, de amigos, de família, com desejos de felicidade, promessas e declarações eternas. Mas, - normalmente - a vida prosseguiu sem mim, assim como fazia com a mãe. Ela saia para trabalhar, então eu aprontava, vivia, descobria. Tudo réplica de momentos e lembranças no tempo mais fácil, superficial e sincero. Se estendeu, onde o amor entrou algumas vezes sem ao menos entendermos que ele lá estava, e em outras, a prova viva que as coisas e as pessoas eram tratadas no mesmo nível, da mesma forma, no mesmo siginificado. E toda a sensação ao rever histórias me causou tristeza e nenhuma saudade de fato. E como isso aconteceu nesse coração? Pois doía tanto, mas tanto, tanto... Sempre foi saudade, sempre havia nostalgia ou melancolia na garganta e nos pulmões. E agora não, "de repente" agora não. Ao peito agitado somente tristeza por ter feito algumas escolhas, não por pessoas, mas por atitudes que não tomaria agora.

4 comentários:

Barbara disse...

Para isso é que servem os armários.
Melhor vivermos acampados.
Digo: melhor vivermos como se estivéssemos acampados na vida.

Quezia disse...

Oi!!
Gostei muito do seu blog... Vou seguí-lo!!! Depois dá uma passadinha no meu também e que Deus ti abençoe!!!!! Abraços...

Open eyes disse...

modificando a frase: "Fale de Amor se necessário use palavras"

Dra. Costa disse...

Prova incontestável de que apenas nós ficamos.